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Resenha do livro "O Caranguejo Santo" (Arlindo Cabocllo), por Lidiana Justo e Manassés Emidio

       CABOCLLO, Arlindo.  O caranguejo santo . João Pessoa: União, 2017. O livro de autoria de Arlindo Cabocllo (2017), intitulado “O Caranguejo Santo”, narra a vida de personagens comuns que encontramos em nosso dia a dia, muitas vezes, sem ao menos nos importarmos. Com pouco mais de 80 páginas, Arlindo Cabocllo, através de sua formação e experiência (Professor da rede Estadual da Paraíba; Bacharel e Licenciado em Geografia (UFPB); Especialista em Geografia Ambiental Urbana (ESAB); extensões em Prevenção do Uso de Drogas (UNB) e Educação, Cidadania e Cultura (UEPB)), conduz o leitor numa narrativa surpreendente. Tendo como personagem principal o catador de caranguejo Eurípedes, morador da Várzea Nova, no município de Santa Rita-PB, que, mesmo com pouca leitura, vivia indagando o fato de ter nascido pobre e sem oportunidades, questionando o motivo de tanta poluição no mangue, bem como buscando entender o porquê de as pessoas serem tão religiosas, ele aca...

JARDINS SUSPENSOS NA BABILÔNIA

  Representação dos jardins suspensos da Babilônia. Disponível em: https://pt.quora.com/Os-Jardins-Suspensos-da-Babil%C3%B4nia-eram-reais . Acesso: 24/07/22. Babilônia, cidade da Mesopotâmia , tornou-se um grande Império, seu maior desenvolvimento ocorreu no governo de Hamurábi  que conquistou muitos territórios e elaborou o Código de Hamurábi, um conjunto de leis que deviam ser obedecidas em todo o Império. O rei de maior destaque foi Nabucodonosor que destruiu a cidade de Jerusalém e levou seus habitantes para a Babilônia. Este rei teria mandado construir os jardins suspensos no século VI a.C. em homenagem à sua esposa Semírames , devido à saudade que ela sentia de sua terra natal, a qual possuía uma florestas e flora abundante. Os jardins eram chamados de suspensos pelo fato de possuir seis andares e cada um deles terem árvores frutíferas e plantas diversas, quem avistavam ao longe, tinham a impressão de que os jardins estavam flutuando . Conta-se que na construção havi...

O MASSACRE DE TRACUNHAÉM

  Disponível em: https://www.paraibacriativa.com.br/artista/tragedia-de-tracunhaem/ . Acesso: 24/07/22. Um dia, um mameluco (mistura de indivíduos brancos e índios) chegou a Copaoba (aquele que se alonga), atual Serra da Raiz-PB, buscando acolhida na aldeia do cacique Iniguaçu (rede grande). Fora muito bem acolhido pelo chefe da tribo e toda comunidade. Mas o tal do mameluco pela filha do cacique se apaixonou, era uma bela índia chamada Iratembé , mais conhecida como “lábios de mel”. Pediu-a logo em casamento, mas o pai da moça colocou uma condição – em hipótese alguma, eles podiam ir embora da aldeia - o acordo foi aceito, a união do casal aconteceu. Mas certo dia o mameluco teve um plano, fugir da aldeia e ir embora para Olinda, onde sua família residia. Aproveitando que o cacique e os cunhados foram caçar, pegou a sua amada Iratembé e em Olinda foram morar. Quando o pai da moça retornou da caçada tomou conhecimento que sua linda filha fora raptada. Depressa chamou os irmãos ...

Mulheres na Guerra do Paraguai (1864-1870)

Esta imagem foi publicada na Semana Ilustrada , em 1865, teve a intenção de mostrar as mulheres vivandeiras da Guerra do Paraguai, essas mulheres acompanhavam os deslocamentos das tropas e vendiam alimentos e outros artigos aos soldados. Vocês sabiam que as mulheres estiveram presentes na Guerra do Paraguai (1864-1870)? Isso mesmo, muitas dessas mulheres eram mães, esposas, enfermeiras, andarilhas, prisioneiras, viúvas e soldadas. O conflito que durou cinco longos anos, teve muitas peculiaridades, dentre as quais, a atuação das mulheres oriundas dos quatro países envolvidos no conflito, tais como o Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Essas mulheres acabavam executando serviços indispensáveis para o funcionamento da logística da guerra e dos deslocamentos. Cuidavam dos feridos, das crianças, da alimentação, das vestimentas e atuavam no comércio de produtos que eram vendidos às tropas. Segundo a pesquisadora Maria Teresa Garritano Dourado, muitas dessas mulheres experimentaram abusos ...

Ethel e Ernest, uma animação apaixonante!

    Na vida a dois há sempre uma pausa para uma xícara de chá. Foi assim na história do casal “Ethel e Ernest”, animação lançada pela Netflix, em 17 de fevereiro de 2022. Baseada na HQ do escritor e ilustrador Raymond Briggs (filho dos personagens). O filme nos convida a adentrar a casa do apaixonante casal para sermos tocados por sentimentos como companheirismo, afeto, cuidado, inocência e muito amor. O romance de Ethel e Ernest iniciou-se por volta de 1928, quando Ethel, mulher sensível e conservadora, era dama de companhia de uma abastada senhora londrina, tendo aprendido em seu cotidiano a apreciar o luxo e a etiqueta. Por outro lado, Ernest, era um homem de hábitos simples, trabalhava como entregador de leite e votava no Partido Trabalhista. E sim, eles eram o oposto um do outro. Mas isso não foi empecilho para o amor. E como iniciou o romance do casal?  Ah, o romance iniciou de uma forma um tanto inusit...

Tricotando sobre o livro, "Mulheres de Cabul", de Harriet Logan.

Eu, de fato, tenho uma louca paixão em descobrir o mundo das mulheres afegãs. Um livro interessante que gostei muito foi "Mulheres de Cabul", ganhei de presente de uma aluna muito especial, Hérica Santana.  Traz depoimentos comoventes das mulheres que vivem debaixo do véu. Não quero lançar aqui uma visão maniqueísta, do tipo- "coitadinhas, elas vivem sob um regime que as oprimiam, elas usam o véu por causa dos religiosos fanáticos". Sei que estudos recentes, trazem o outro lado, o daquelas mulheres que usam o véu, não como vergonha, mas como algo que faz parte de suas identidades e acho fantástico e plausível. Enfim,  a jornalista Harriet Logan, é fantástica!! Ela nos conduz a uma viagem ao Afeganistão que na época estava sob domínio dos Talibãs. Gente, vocês precisam ler este livro, só para se ter uma ideia, o Talebã foi um regime radical que tomou o poder naquele país e estabeleceu uma série de regras, dentre elas: não jogar pipas, não ouvir músicas, ...

As Teias e Tramas de uma cidade centenária

  A cidade é feita de sonhos e de desejos. Sonhos e desejos que, um dia, se tornarão recordações, se incorporarão aos inúmeros labirintos da memória, revelarão as faces escuras do passado ou deixarão que elas permaneçam desconhecidas para sempre. Assim é a cidade, a grande moradia dos homens (REZENDE, 1992, p.21) Dia 5 de agosto de 2010, a nossa cidade assoprou velinhas, completou 425 anos. Uma cidade centenária que transpira história nas marcas de seus casarões coloniais e das janelas largas onde à tarde apareciam as moças casadoiras. O  passado se oferece através de suas ruas e avenidas, abertas em nome da modernidade. Foi a terceira cidade a ser fundada no Brasil. A história da Paraíba divide-se numa história oficial e por outro lado, uma outra história que está sendo feita. através da releitura e da crítica. Pois, chega de enaltecer a figura bravia dos portugueses e a traição de Piragibe (Tabajara) contra os índios Potiguaras, estes sim, habitantes naturais da Paraíb...

Anayde Beiriz “olhos de pantera dormente” (Lidiana Justo)

     Ao longo da história, vimos surgir grandes vultos femininos que deixaram seu legado de luta, de ruptura, de desafios à moral machista e burguesa. Seja na luta pelo voto feminino, em um corte de cabelo, no uso de uma minissaia ou por recusar-se a não se casar, ter filhos, enfim, atitudes aparentemente simples, mas que repercutiram no tempo delas.    Anayde Beiriz nasceu na Parahyba, no dia 18 de fevereiro de 1905. Terminou seus estudos na Escola Normal, e participou em 1925 de um concurso de beleza patrocinado pelo Correio da Manhã e lecionou em Cabedelo, numa aldeia de pescadores.    Foi uma mulher que quebrou tabus na provinciana cidade parahybana, professora, poetisa, uma mente brilhante e inquieta. Usava cabelos curtos a La garçonne , pintava suas madeixas, usava batom, fumava... Em uma época na qual as mulheres de "recato" não podiam sair às ruas, ela ousava e saia sozinha, sem acompanhantes e,  para completar, usava roupas provocan...