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Professora, pesquisadora, historiadora, um ser pensante, em mutação, completamente inacabada.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Tricotando sobre o livro, "Mulheres de Cabul", de Harriet Logan.




Eu de fato tenho uma louca paixão em descobrir o mundo das mulheres afegãs.
Um livro muito interessante,"Mulheres de Cabul", que ganhei de presente de uma aluna muito especial, Hérica Santana,  trás depoimentos comoventes das mulheres que vivem debaixo do véu.
Não quero lançar aqui, uma visão maniqueísta, do tipo "coitadinhas, elas vivem sob um regime que as oprime, elas usam o véu por causa dos religiosos fanáticos".

Sei que estudos recentes, trazem o outro lado, o daquelas mulheres que usam o véu, não como vergonha,
mas como algo que faz parte de sua identidade, acho fantástico e plausível.

Enfim,  a jornalista Harriet Logan, é fantástica!! Ela embarca na viagem ao Afeganistão, que na época estava sob domínio dos Talebans.

Gente vcs precisam ler este livro, só para se ter uma ideia,
o Taleban foi um regime radical, que tomou o poder naquele país e estabeleceu uma série de regras, dentre elas: não jogar pipas, não ouvir músicas, o homem não podia fazer a barba e as mulheres só poderiam sair de suas casas com a Burka.

Imagina o desconforto ter que usar essa indumentária, naquele calorão, e, o que é pior, a parte dos olhos, é uma espécie de viseira, elas só conseguem ver bem o que está à sua frente.
O que chama atenção no livro, são os depoimentos de mulheres formadas, que se viram impedidas de exercerem suas profissões, devido ao machismo do regime. Mas, por outro lado, pode-se observar a resistência de mulheres que na clandestinidade colocavam seus filhos para estudar. Se compararmos com a facilidade que temos no ocidente, vemos o quanto  muitos dos nossos não valorizam algo que lhes é dado com liberdade.
No cenário assolador de Cabul, Harriet Logan registrou magistralmente, mulheres arrasadas, viúvas, mutiladas em todos os sentidos, fico imaginando como elas se encontram hj, será que estão vivas? será que seus filhos estão ao seu lado? será que mudou alguma coisa, depois da queda do Taleban?
São tantos serás... Espero que aquele país um dia consiga desfrutar da liberdade que nós desfrutamos, Paz ao Afeganistão!!                          


     Hoje eu quero paz de criança dormind0

E  abandono das flores se abrindo
Para enfeitar a noite do meu bem
Quero a alegria de um barco voltando
Quero ternura de mãos se encontrando
Para enfeitar a noite do meu bem
Ah! Eu quero o amor ... o amor mais profundo
Eu quero toda a beleza do mundo
Para enfeitar a noite do meu bem !

(Dolores Duran-1959)

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Independência para o povo, Morte à desigualdade social !!

7 de setembro Dia da Independência do Brasil!!
Essa data símbolo me faz lembrar dos exaustivos desfiles quando criança e, das homenagens a D. Pedro I, ícone mor da nossa "libertação de Portugal".
A história que ensinaram aos meus pais quando criança, não ensinou o outro lado dessa Independência, pagamos muito caro a Portugal por ela, no total 2 milhões de libras esterlinas, o povo brasileiro sequer participou desse processo, a nossa Independência foi feita por e para uma elite.
Não houve revolução, não houve mudança de regime, não houve mudanças sociais e de quebra um príncipe herdeiro continuou entre nós!! Somos herdeiros dos vícios medíocres dos Braganças...
Contaram muita mentira sobre esse fato histórico, uma delas pode ser observada na imagem que trás D. Pedro I, proclamando o famoso "Independência ou Morte", montado no seu cavalo e rodeado de soldados, às margens do famoso rio Ipiranga.
observe atentamente esse quadro e analise a observação a seguir, na obra de Pedro Américo concluída em 1889, encomendada pela família real que investia na construção do Museu Ipiranga, em São Paulo:




  • É improvável que D. Pedro estivesse vestindo uma farda militar, considerando o tempo de viagem do Rio de Janeiro até São Paulo. Da mesma forma, jumentos eram mais utilizados que cavalos em viagens de longa distância.




  • A comitiva não era tão grande como mostra a pintura.





    • A existência da casa de pau-a pique ao fundo nunca foi comprovada. 

    • Mesmo assim a casa foi tombada e, é uma das atrações turísticas do Museu Ipiranga.D. Pedro não estaria às margens do rio Ipiranga, como mostra a pintura, e sim numa colina, se recuperando de um grave problema intestinal.
    • O camponês isolado e com olhar espantado na imagem, mostra um fato real: a Independência do Brasil foi um movimento elitista. O povo não teve participação efetiva direta.


    Passados 188 anos desse acontecimento, será que muita coisa mudou? quais permanências/rupturas com o passado podemos observar?











    quarta-feira, 11 de agosto de 2010

    Dia dos Estudantes, O Retorno de Eliab, eleição e fraude, enfim... Mandamentos dos Estudantes, isso tudo hoje!!!

    Neste dia tão especial " Dia dos Estudantes", quero prestar a minha homenagem aos meus queridos alunos, mas antes, quero lembrar o regresso de Eliab, ou "Eliab, O Retorno", rss...
     Brincadeiras à parte, a chance que demos a ele deve ser agarrada e não desperdiçada. Sentimos a falta do danado, afinal, o cara é figura!! O nono ano sem a figura mitológica de Eliab, não estava o mesmo, quem poderia narrar melhor que ele as suas lembranças de Juripiranga, terra natal? E a mobilete Poderosa, que destino lhe foi reservado? só o Eliab pode nos narrar.
    Hoje, tivemos uma aula diferente, elegemos o presidente e o vice da sala de aula. Tivemos candidatos fortes como: Pedro, que possui vários mimos: Pedrinho, Pedoca, Peter, Pedrodoca, Pedroboy, olhe os seus eleitores o mimaram tanto que ele cresceu uns 15cm de altura, rss... além dele, tivemos o nosso querido Tarciso um cara meticuloso e exemplar, além de Larissa e Silmara. 
    Gente a disputa foi acirrada, até roubo eleitoral teve, pode uma coisa dessas? Fizemos uma CPI para investigar o crime, e os indícios foram para quem? advinhem... Eliab, não é que o caboclo voltou a aprontar?  sei não viu... Ele foi punido claro, o voto dele foi anulado e fizemos outra eleição, sendo eleitos para presidente, Pedro, e para vice, Silmara, fiquei feliz com o resultado!!


    No demais trago aqui os Mandamentos dos Estudantes, e não pensem que é poeminha pra boi dormir, blá,blá,blá...
    MANDAMENTOS DOS ESTUDANTES:
    1 - O estudante sabe sempre a matéria. Se não responde é para não inferiorizar o professor.
    2 - O estudante será sempre um exemplo para a sociedade
    3 - O estudante nunca se deixa dormir. O despertador é que não toca.
    4 - O estudante nunca é posto fora da aula. É que sua presença é necessária em outro local.
    5 - O estudante nunca fala mal de um professor. Faz uma crítica construtiva salientando os seus defeitos.
    6 - O estudante nunca copia. Recolhe dados.
    7 - O estudante nunca reprova. Renova sua experiência.
    8 - O estudante nunca conspira contra os professores. Estes é que tem espírito de conspiração.
    9 - O estudante nunca falsifica uma assinatura do encarregado de educação. Apenas economiza sua tinta.
    10 - O estudante nunca bebe. Saboreia.
    11 - O estudante nunca fuma. Estuda os efeitos nocivos do tabaco.
    12 - O estudante nunca falta. Não comparece por motivos de força maior.
    13 - O estudante nunca chega atrasado à aula. Perde o ônibus.
    14 - O estudante nunca apalpa as colegas. Estuda as suas anatomias.
    15 - O estudante nunca estraga o material escolar. Testa sua resistência.








    sábado, 7 de agosto de 2010

    As Teias e Tramas de uma cidade centenária, por Lidiana Justo




     
    A cidade é feita de sonhos e de desejos. Sonhos e desejos que, um dia, se tornarão recordações, se incorporarão aos inúmeros labirintos da memória, revelarão as faces escuras do passado ou deixarão que elas permaneçam desconhecidas para sempre. Assim é a cidade, a grande moradia dos homens (REZENDE, 1992, p.21)



    Dia 5 de agosto de 2010, a nossa cidade assoprou velinhas, completou 425 anos!!
    Uma cidade centenária que transpira história nas marcas de seus casarões coloniais e das janelas largas onde à tarde apareciam as moças casadoiras. O passado se oferece através de suas ruas e avenidas, abertas em nome da modernidade. Foi a terceira cidade a ser fundada no Brasil.
    A história da Paraíba divide-se numa história oficial e por outro lado, uma outra história que está sendo feita. através da releitura e da crítica. Pois, chega de enaltecer a figura bravia dos portugueses e a traição de Piragibe (Tabajara) contra os índios Potiguaras, estes sim, habitantes naturais da Paraíba.


    Nossa Senhora das Neves, Felipéia, Frederickstadt, Parahyba e João Pessoa, esses nomes revelam a ocupação dos portugueses, dos espanhóis e dos holandeses. Identidades múltiplas misturada a um povo único e singular.







    Ao fundo o rio Sanhauá um rio que já foi navegável, foi nesse rio que se processou o acordo entre Martim Leitão e Piragibe, numa colina à direita do rio  pequeno afluente do rio Paraíba.  Em homenagem ao santo do dia a cidade passou a chamar-se Nossa Senhora da Neves, hoje João Pessoa.



    Martim Leitão trouxe consigo carpinteiros, escravos, padres e trabalhadores no geral. Assim começou a labuta para construção de moradias, igrejas e fortes.

    Mais tarde teve seu nome mudado para Filipéia de Nossa Senhora das Neves, quando da União das Coroas Ibéricas, Portugal e Espanha. Com o intuito de proteger-se das invasões estrangeiras deu-se início a construção do Forte de Cabedelo ou de Santa Catarina, local situado entre o rio e o mar.


    Forte de Santa Catarina: Casa do comando e Quartel de tropa. A primeira construção era de Taipa e com o tempo passou por várias reformas. Além disso cabe salientar que foi aí que houve a celebração do primeiro culto protestante holandês em 1635.











     A cidade no período holandês passou a chamar-se Frederickstadt ficando sob esse domínio até 1654. Com a retomada pelos portugueses junto aos brasileiros a terra ganhou o nome de seu rio principal, Parahyba. 

    além de lindas igrejas como: Misericórdia,Santo Antônio (anexa ao convento São Francisco), São Bento, N.S.do Carmo, e N.S. da Conceição. Presença de ordens monásticas como os Jesuítas que se alojaram no atual Palácio do Governo e Faculdade de Direito, eles foram expulsos em 1593 pelo governador Feliciano Coelho. Além dos Jesuítas, tivemos ainda a presença dos beneditinos, carmelitas e franciscanos, estes por sua vez, rivalizavam com os jesuítas.                                             

    No início do séc XX o parque era conhecido como Parque dos Irerês, devido a abundante quantidade de marrecos que ficavam no local, além disso, essa área integrava uma aldeia dos jesuítas. O local abrigou o Engenho da Lagoa. Só em 1922 na administração de Sólon de Lucena, a lagoa transformou-se em parque público.


                                                                 Rua Areia em 1902

                                                              Rua Maciel Pinheiro em 1903



                                                           Pç. Pedro Américo em 1904

                                                                   Pç. 1817 em 1908


                                                                 Rua General Osório 1920

                                                           Pç. Antenor Navarro 1926

    Pç. Vidal de Negreiros, vulgo "ponto de cem réis" o vulgo tornou-se popular devido ao preço da passagem do bonde, Cem Réis.

                                                            Prédio dos Correios em 1925


    Nesta fotografia vemos a Epitácio Pessoa, dizem alguns curiosos que houve um erro no corte desta avenida, pois na época, o governador João Pessoa, desejava que ela desembocasse no palácio do Governo porque queria avistar o mar, mas infelizmente isso não aconteceu, hoje ela desemboca na atual Pç. da Independência.

     Av. Guedes Pereira em 1944, observe que do lado direito uma charrete representa o rústico numa cidade com ares urbanizados, no meio o bonde fruto do progresso e à esquerda o carro, sinônimo de modernidade.

        A mesma avenida só que nos anos 60, observe os transeuntes, os automóveis e o alargamento da rua



    Mas a cidade não conta o seu passado, ela o contém como as linhas da mão, escrito nos ângulos das ruas, nas grades das janelas, nos corrimões das escadas, nas antenas dos pára-raios, nos mastros das bandeiras, cada segmento riscado por arranhões, serradelas, entalhes, esfoladuras (CALVINO, 1993, pp. 14-15).




    Um misto do Antigo e do Novo, singular!!



     FONTES:
    CALVINO, Italo. As cidades invisíveis.4ed.São Paulo: Companhia da Letras, 1993.
    MELLO, Jose Octávio de A. João Pessoa, onde o sol nasce primeiro. 1ed. João Pessoa: Cortez, 2008.
    REZENDE, Antonio Paulo. "(Des) Encantos Modernos: História da Cidade na década de Vinte". Tese de Doutoramento, Universidade de São Paulo, 1992.












    terça-feira, 3 de agosto de 2010

    Anayde Beiriz “olhos de pantera dormente” (Lidiana Justo)


         Ao longo da história, vemos surgir grandes vultos femininos que deixaram seu legado de luta, de ruptura, de desafios à moral machista e burguesa. Seja na luta pelo voto feminino, num corte de cabelo, no uso de uma mini-saia ou por recusar-se a não se casar, ter filhos, enfim, atitudes aparentemente simples, mas que repercutiram no tempo delas.
       Anayde Beiriz nasceu na Parahyba, no dia 18 de fevereiro de 1905. Terminou seus estudos na Escola Normal, e participou em 1925 de um concurso de beleza patrocinado pelo Correio da Manhã. Lecionou em Cabedelo numa aldeia de pescadores.
       Foi uma mulher que quebrou tabus na provinciana cidade parahybana, professora, poetisa, uma mente brilhante e inquieta. Usava cabelos curtos a La garçonne, pintava suas madeixas,usava batom fumava, numa época em que as mulheres de recato não podiam sair às ruas, ela ousava e saia sozinha, sem acompanhantes e  para completar, usava roupas provocantes e decotadas. Uma moça muito atraente e inteligente, recebeu o apelido de “olhos de pantera dormente”, de seus amigos íntimos.
       Possuía idéias progressistas para época, estava sempre envolvida em saraus literários, além disso, defendia o voto feminino convidemo-la [a mulher] a colaborar com o homem na oficina da política. Que perigo pode vir daí?”.
       Não se prendia a convenções. No que tange aos relacionamentos amorosos, teve um caso de amor nada convencional em 1928, com João Dantas, advogado e jornalista, que criticava a atuação de João Pessoa, então governador da Parahyba em seus escritos, e que era simpático ao coronel de Princesa Isabel, José Pereira.
    Veja o que ela escreveu sobre o matrimônio, em pleno anos 20 ela utilizou-se de sua arguta criatividade,para criticar a “escravidão” no lar:
    “Nasci
    Nasceu
    Cresceu
    Namorou
    Noivou
    Casou
    Noite nupcial
    As telhas viram tudo
    Se as moças fossem telhas não se casariam...”
      Anayde teve sua vida marcada tragicamente, por uma desavença política de seu amante, com o então governador da Parahyba. A polícia do estado invadiu a casa de João Dantas em busca de armas ou algo que o incriminasse, queimaram arquivos pessoais, destruíram móveis e arrombaram um cofre, onde era guardada correspondências entre ele e Anayde Beiriz.
    Em mãos desse “achado”, o jornal do estado, A UNIÃO, publicou nas páginas principais as cartas íntimas do casal, um golpe baixo que manchou a reputação já questionada de Anayde Beiriz, sua vida foi atingida em cheio por esse ato. Fora isso, o Jornal que pertencia ao estado, vinha fazendo por seu turno, uma campanha para denegrir a imagem de João Dantas.
    Durante dias ficaram expostas as cartas que envolviam amigos, clientes, parentes e fotografias íntimas do casal, aberto ao público para visitações.
     Inconformado, João Dantas com seu orgulho ferido aproveitou-se da presença de seu inimigo, João Pessoa, em Recife (ao que tudo indica, o mesmo foi encontrar-se com sua amante, a cantora lírica Cristina Maristany, pois esteve na joalheria Krause, de acordo com historiadores como Horácio de Almeida e Amarylio de Albuquerque) no dia 26 de julho (até hoje comemoramos essa data, “a morte de João pessoa”), para o acerto de contas.
       João Pessoa encontrava-se na "Confeitaria Glória", na companhia de 3 amigos,  João Dantas armado, aproximou-se se apresentando: “Eu sou João Dantas”, e em seguida, disparou 3 tiros. Esse acontecimento repercutiu a nível nacional, pois o governador compunha a chapa da AL, a vice presidência, sua morte foi utilizada como  álibi pela AL, para fazer a “revolução ”, que na verdade não foi revolução, e sim, um rearranjo de oligarquias, episódica Revolução de 1930!!
      João Dantas foi preso, e posteriormente morto, sua morte até hoje é um mistério, foi encontrado degolado em sua cela, mas paira uma dúvida no ar: Terá sido realmente suicídio? Pois existe uma distância muito grande entre o real e o oficial.
      Em meio a tudo isso, a nossa heroína teve sua vida abalada em todos os sentidos. Profissionalmente, pois qual família deixaria seus filhos em mãos de uma “indecente”? Seu nome durante muito tempo sequer podia ser pronunciado. 
    Ela escapou de um apedrejamento, e acabou refugiando-se no Asilo Bom Pastor, em Recife. Sua morte foi no dia 22 de outubro, aos 25 anos de idade. Ela suicidou-se e foi sepultada no mesmo dia, como indigente.


     Mas aqui está a escrita da história, dando-lhe a merecida homenagem ainda que morta, mas está em nossa memória, como ícone de mulher guerreira e amante do amor.
      Uma vida efêmera, com muitos significados, viveu uma grande paixão, amou sem convenções, sem regras, um amor livre, autônomo e intenso. Simplesmente e atrevidamente, Anayde Beiriz!!!
    Numa época em que o sonho de toda moça recatada, era ser uma esposa-mãe-dona-de casa, Anayde não se enquadrou nesse segmento, era limitá-la demais.
    Portanto, ela sim, uma revolucionária!!

    Referências:
    Ribeiro, Flávio Eduardo Maroja. PARAHYBA 1930: A verdade omitida. João Pessoa: Sal da terra, 2008.
    Filme Parahyba Mulher Macho (1983), por Tizuka Yamazaki

    sexta-feira, 16 de julho de 2010

    Europa em transe: Fascismo e Nazismo, as sementes do mal (Lidiana Justo)

    Refletindo sobre a ascensão dos regimes totalitários, o fascismo, na Itália e o nazismo, na Alemanha, é importante conceituar o que vem  a ser Totalitarismo.

    O que quer dizer essa palavrinha, ou melhor esse palavrão? Esta foi a primeira indagação,  feita aos alunos ilustres do nono ano, as gêmeas lindonas, ao Pedrinho, a Alcyele, a Sylmara, enfim, peguei todos de surpresa. É interessante quando eles dizem: " Professora, eu sei! só não sei falar!! isso acaba comigo, vcs são ótimos!

    Então vamos deixar de enrolação, e vamos a definição: Totalitarismo pode ser resumido como um governo forte e autoritário, e para ser mais clara, tem uma frase do Duce, Mussoline, que diz assim: "Nada contra o Estado, nada acima do Estado, nada fora do Estado". Em linhas gerais, num regime totalitário o que prevalece é a vontade suprema do Estado, personificada na figura do governante.
    Num regime totalitário a individualidade cede lugar à coletividade, o estado exerce controle total sobre as pessoas, reprimindo manisfestações contrárias à sua atuação, e perseguindo opositores.

     A Itália saiu frustrada da 1 Guerra Mundial, pois não obteve nenhuma recompensa territorial, por ter ficado ao lado da Entente, e ainda havia  o saldo da Guerra, que  foi catastrófico no país, crises em cima de crises.

    Nesse ínterim, avançava no país as ideias socialistas, da Revolução Russa, e em meio às convulsões políticas e sociais, foi fundado o partido Fascista, tendo à frente Mussolini, ex-combatente da Primeira Guerra Mundial,  que à época recebeu apoio dos industriais, comerciantes e proprietários de terras(estes, temiam a implantação do regime socialista, advinhem só o porquê? medo das reformas que viriam, claro!!). O partido passou a ser financiado por esses figurões.

    E algo que garantiu prestígio para o partido, foi que eles conseguiram evitar a greve de operários organizada pelos socialistas, em 1922.
    A amostra de poder, pode ser demonstrada na "Marcha sobre Roma" exigindo a entrega do poder. Na ocasião 50.000 camisas-negras ocuparam a cidade sem o disparo de um tiro. Isso garantiu a Mussolini, a escalada política, pois sentindo-se pressinado, o rei o "convidou" para formar o governo.

    Finalmente, em janeiro de 1925, Mussolini estabeleceu um regime autoritário, eliminando a oposição e reformando a Constituição, além disso, para complementar seu espírito nadinha democrático, ele extinguiu o Senado e a Câmara, portanto, deu-se  início um regime onde o governante era autoridade inquestionável.

    Ele perseguiu opositores, interferiu no sistema educacional, que passou a enaltecer a sua figura " Creio no gênio Mussolini", essa era a frase repitida pelas crianças na escola. Um mecanismo de controle e persuasão das massas, foi o rádio, ele falava ao povo, como um verdadeiro Duce.

    Para compreender a ascensão do nazismo, na Alemanha, é importante relembrar a derrota da Alemanha na 1 Guerra Mundial, e a humilhação sofrida pelo Tratado de Versalhes, que entre outros pontos obrigava a nação alemã a pagar uma indenização aos países vencedores, além disso, ela ficava impedida de rearmar-se, essas medidas abalaram sobremaneira o nacionalismo do povo alemão.

     De 1919 a 1933 é bom relembrar que a Alemanha era uma república, essa República de Weimar, tentou a todo custo salvar a nação economicamente, e quando finalmente as coisas começavam a entrar nos trilhos... a grande Bomba!! O crash de 1929, trazendo em sua esteira: fome, revolta, insatisfação, desemprego, esse caldeirão de angústias foi terreno propício para que chegasse ao poder o Partido Nacional-Socialista, tendo à frente Adolf Hitler.
     Ele colocou-se como o "Salvador" do povo alemão, o regime defendia a "superioridade da raça ariana", o antissemitismo (ódio aos judeus, tornaram-se os bodes expiatórios da crise europeia), além da defesa de um "espaço vital", ou seja, conquista de territórios. Com relação a política expansionista alemã, é importante ressaltar  que foi justamente esse expansionismo que deflagrou a Segunda Guerra Mundial.

    Uma grande característica desses líderes, foi o seu carisma junto às massas. Nos comícios organizados pelos nazistas, eles apareciam uniformizados (perdia-se a individualidade e tornavam-se homens massa),usavam  símbolos como a Àguia e a Suástica, uma espécie de cruz em movimento. Esses elementos estavam relacionadas de acordo com alguns estudiosos, à energia e à sexualidade(a Suástica, pode ser vista como um homem e uma mulher num ato sexual), psicologicamente exercia influência sobre as massas, que se excitavam com as aparições e discursos inflamados de seus líderes, e "respondiam aos discursos com palavras de ordem gritadas em uníssono"
    Geralmente os comícios eram à noite, onde Hitller aparecia sob refletores, o que lhe conferia uma imagem mais grandiosa e  sobrenatural, cantavam-se músicas, hinos oficiais acompanhados de  fanfarras.

    Uma coisa que surpreende até hoje, foram o uso de "prostitutas reprodutoras" para gerar descendentes arianos, de acordo com alguns pesquisadores, elas mantinham relações sexuais com os soldados alemães e geravam rebentos para o estado.

     Com relação a instrução, as crianças alemãs foram submetidas a uma educação militarista, tanto física quanto moral, eram doutrinadas para serem o futuro da Alemanha.

    O ensino de História por exemplo, falava do heroísmo do povo alemão, das conquistas dos "inimigos históricos", a Geografia mostrava os territórios e regiões que os nazistas consideravam do povo alemão. Os tentáculos do regime estenderam-se por diversas àreas, a educação foi um instrumento de divulgação e despertar do nacionalismo e do racismo.

     A  educação feminina, visava a preparação das garotas para serem mães e reprodutoras de filhos saudáveis e arianos Faziam atividades físicas, aprendiam a ler e escrever, tinham aulas sobre sexualidade. Isso com o objetivo de torná-las exímias em economia doméstica e boas geradoras de filhos arianos.

    Os nazistas  deram uma importância tamanha a gestação, e isso pode ser observado no tratamento que o estado dispensou às mães solteiras, o estado custeava sua subsistência(alimentação e  aulas sobre gestação), em troca dessas benesses, ela deveriam entregar seus filhos ao movimento nazista alemão. Vemos aí, que antes mesmo do cidadão ser concebido, seu destino já estava traçado pelo regime.

    E, como todo regime totalitário, vários mecanismos de controle foram utilizados para ludibriar às massas. O cinema nazista, por exemplo, é um material importante na análise da ideologia do regime. O Ministério da Propaganda, que na época tinha à frente Goebbels, divulgavam e exaltavam nos filmes a militância nazista entre a juventude. Eram comuns histórias sobre jovens, que teriam morrido nos confrontos contra os comunistas, estes, considerados inimigos em potencial do nazismo alemão.
    Por volta dos anos 40, chegaram às telas do cinema alemão, filmes antijudaico, Judeu Eterno, com uma imagem estereotipada dos Judeus, taxando-os de ambiciosos e desumanos. Isso com o claro intuito de despertar no povo "ariano", o desprezo a essa categoria.
    Havia ainda, comédias românticas e musicais, tudo com o intuito de expressar os costumes e o modo de vida alemão. O cinema é uma fonte imprecindível para a análise da ideologia desse regime.


    É difícil compreender como líderes déspotas e maquivélicos como estes, chegaram ao poder com apoio de uma nação, por isso, é fucral para chegar a esta compreensão, fazer uma leitura do contexto histórico. Líderes Salvadores, costumam emergir em momentos de crise: política, econômica ou social, eles põem-se como o Messias/Redentor.



    Fontes:
    Projeto Araribá, obra coletiva, 2ed. São Paulo: Moderna, 2007.

    http://fottus.com/pessoas/nazismo-100-imagens/

    segunda-feira, 12 de julho de 2010

    Divisão dos Seminários, divirtam-se!!!

    1. A Guerra Fria (Eliab, Tarcísio, Alcyelle), 02/08
    2. O Fim da URSS e o Fim do Socialismo no Leste Europeu ( Pedro, Josielho e Ana Paula), 02/08
    3. O Apartheid na África do Sul (Edberto Brito e Elisâma), 03/08
    4. A África do Sul hoje (Larissa de Queiroz, Deysilane e Deysilene ), 03/08
    5. Criação do Estado Israel (Karla Emanuelle e Rebeca), 03/08
    6. Relação entre Judeus e Palestinos na Atualidade ( Raquel, Ingrid e Yasmin e Rayane), 03/08
    7. Anos 60, Revolução Cultural: entre rupturas e mudanças (Larissa Karla, Sylmara e Rafaela), 04/08
    8. O terrorismo no séc.XXI (Diego Esmeraldo e Francisco), 04/08

     OBS: Lembrem-se que a proposta dessa divisão, é romper com costumes arraigados de vocês, que tal ampliar o leque de amizades?
    Tentem fazer um  seminário que fuja do convencional, tragam amostras, se possível, alguma coisa relacionada ao evento. Se for para se vestir de hippie, pq não?rs
    Quero a participação de todos no trabalho, isso será avaliado, nada se se "escorar" no colega, heim galera!