Ilustração criada com Inteligência Artificial (ChatGPT/OpenAI). Preta retinta, de baixa estatura, magra, bonita, dentes alvos como neve, altiva, geniosa, insofrida e vingativa, não necessariamente nessa ordem, mas foi assim que o abolicionista Luís Gama, em carta autobiográfica de 1880, descreveu a sua mãe, Luísa Mahin. Conhecemos a nossa heroína a partir das memórias do abolicionista negro, considerado por alguns estudiosos como o filho que gestou a mãe. Nascera na Costa da Mina, África, era islâmica e fora trazida ao Brasil pelos portugueses, atuando em Salvador como quitandeira, recusando a se converter ao catolicismo. Pelas ruas e vielas da cidade, Luísa vendia seus quitutes saborosos; querida no cotidiano do comércio local, ela circulava não só vendendo seus produtos, mas dialogando com seus colegas de cativeiro, tomando, muitas vezes, conhecimento sobre as tramas de sublevações. Conta-se que, em 1835, durante a Revolta dos Malês, Luísa Mahin teria assumido certo protagonismo ...
Ilustração criada com Inteligência Artificial (ChatGPT/OpenAI). Talvez você nunca tenha ouvido falar de Zazimba Gaba, uma princesa negra que foi trazida como cativa para o Brasil no período sombrio da escravidão. Esse sistema, que tratava o corpo negro e indígena como mercadoria, foi marca estruturante das relações econômicas implantadas pelos portugueses na América. A corajosa princesa Zazimba, da nação africana de Cabinda, em Angola, liderou seu povo contra os dominadores lusos, mas capitulou e, em 1690, foi trazida, junto com outros habitantes de seu reino, ao Brasil para serem escravizados. Já no território brasileiro, foi vendida ao proprietário de engenho José Trancoso, da província do Espírito Santo. Triste, mas altiva em todo tempo, a princesa Zazimba, em nenhum momento, demonstrou fraqueza entre aqueles que foram seus súditos em Cabinda. Era reverenciada, amada, protegida e respeitada. Mesmo em situação de cativeiro, eles a honravam como a corajosa princesa de Cabi...