Nascida
em Benguela, na África,
Tereza cresceu
ouvindo os sábios griôs
Atenta aos
ensinamentos,
Com disciplina
e encantamento
Jovem e
influente se tornou.
Naqueles tempos
em Benguela,
O exército
português aterrorizou
Reinos rivalizaram,
Até se
enfrentaram
Insuflados
pelo opressor.
Foi assim
em tormentos
Que Tereza
ao Brasil chegou.
Sonhos,
lágrimas e lamento,
Tanta dor
e sofrimento
Mas o
destino não falhou
Levada
para Mato Grosso
Enamorou-se
por José Piolho
Líder de
um Quilombo
Onde
faziam todo povo
Bem-vindos
ao Quariterê.
Unidos em
um propósito, Tereza e José Piolho
Pelas matas
se embrenharam
Chegando
ao Quilombo Quariterê
Tereza lá
se fez rainha,
A rainha
do Quariterê.
Liderou ao
lado do amado
Com estratégia
e valentia
E não lhe
faltava sabedoria
Para o
quilombo reger.
Seguindo unidos
vendo tudo florescer.
Mas o
destino implacável
Em uma
manhã ensolarada
José Piolho
veio a falecer.
Tereza jogou-se
sobre o seu amado
Mas jurou
o seu legado manter.
Governou por
vinte anos
Acolheu escravizados
Resistentes
ao opressor colonial
Que não
desistia de atacar, intimidar e acuar.
A gente
livre do Quariterê.
Nos idos
1770 Tereza e seu povo
Viram tudo
se perder.
Atacados covardemente
por tropas bem armadas
Que emboscadas
prepararam e até capturaram
Crianças
e moças do Quariterê.
Tereza chorou
amargamente
Em ver o
fio da liberdade
Violentamente
se romper
Foram
prisões, muitos açoites,
Pois o
sistema sacrificava aqueles que buscavam liberdade obter.
Sua cabeça
deceparam, conta a memória popular,
Pois um
recado assim mandavam
Aos escravizados
que tentassem
Fugas empreender
“Seriam tratados
iguais a Tereza, a tal rainha do Quariterê”.
Mesmo tendo
uma morte trágica
Tereza hoje
tem sua memória honrada
Ensinando
meninas e mulheres
Que o racismo
se vence lutando, estudando e questionando
A história
mal contada sobre negros/as do Brasil.
Somos herdeiros/as
de africanos/as
Guerreiros
e guerreiras
Nobres da
realeza
Que aqui
mostraram brio
Em defesa
da liberdade.
Tereza,
mulher africana
Educada
pelos sábios de Benguela
Que a
fizeram jovem astuta
Muito ajudou
aqui na luta
A rainha
do Quariterê.
Por aqui,
despeço-me humildemente,
Viva
Tereza de Benguela,
Nobre,
bela e arredia,
Dona de
suas vontades,
Por isso,
soberana Rainha do Quariterê.

Comentários