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LUÍSA MAHIN: MULHER, PRETA E LIBERTÁRIA

Ilustração criada com Inteligência Artificial (ChatGPT/OpenAI).

Preta retinta, de baixa estatura, magra, bonita, dentes alvos como neve, altiva, geniosa, insofrida e vingativa, não necessariamente nessa ordem, mas foi assim que o abolicionista Luís Gama, em carta autobiográfica de 1880, descreveu a sua mãe, Luísa Mahin.

Conhecemos a nossa heroína a partir das memórias do abolicionista negro, considerado por alguns estudiosos como o filho que gestou a mãe. Nascera na Costa da Mina, África, era islâmica e fora trazida ao Brasil pelos portugueses, atuando em Salvador como quitandeira, recusando a se converter ao catolicismo. Pelas ruas e vielas da cidade, Luísa vendia seus quitutes saborosos; querida no cotidiano do comércio local, ela circulava não só vendendo seus produtos, mas dialogando com seus colegas de cativeiro, tomando, muitas vezes, conhecimento sobre as tramas de sublevações.

Conta-se que, em 1835, durante a Revolta dos Malês, Luísa Mahin teria assumido certo protagonismo ao se aproveitar do ofício de quitandeira para transmitir informações aos participantes da revolta. Através de bilhetes que iam escondidos nos doces, ela conseguia alcançar inúmeros colegas escravizados.

Embora a insurreição tenha sido sufocada e os seus participantes punidos, perseguidos e condenados à morte, Luísa Mahin conseguiu esconder-se. Após fugir para o Rio de Janeiro, nesse local, acabou sendo capturada pelas autoridades por perturbação da ordem pública junto a “malungos desordeiros”; uma vez na prisão, ela e seus companheiros conseguiram articular uma fuga. Assim, não se soube mais do seu paradeiro e qual destino seguiu.

O fato é que a história de Luísa Mahin, seja ela real ou fruto da imaginação de Luís Gama, mostra-nos a existência de mulheres escravizadas no Brasil que assumiram protagonismo nas lutas empreendidas em prol da liberdade. Pois ser mulher, preta e libertária, em um país marcado pela hierarquia social e escravidão, era assumir um compromisso contra a opressão.

Resgatar histórias como estas é uma forma de inspirar a geração de meninas e mulheres afro-brasileiras para que elas tenham orgulho de ser quem são, descendentes de mulheres que lutaram com suas distintas estratégias pelo direito de serem livres.


*A carta de Luís Gama ao seu amigo Lúcio Mendonça onde se fala de Luísa Mahin pode ser conferida em:  MORAES, Marcos Antônio (org.). Antologia da carta no Brasil: me escreva tão logo possa. São Paulo: Moderna, 2005, p. 67-75.

 

 

 

 

Comentários

Anônimo disse…
Não conhecia a história desta heroína negra que em Salvador viveu.
São histórias que fazemos questão de resgatar. Obrigada por ler nossa postagem, não esqueça de compartilhar este conhecimento.

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